Archive for março, 2010


Alyssa Jones

Alyssa: You know, I didn’t just heed what I was taught, men and women should be together, it’s the natural way, that kind of thing. I’m not with you because of what family, society, life tried to instill in me from day one. The way the world is, how seldom it is that you meet that one person who just *gets* you – it’s so rare. My parents didn’t really have it. There were no examples set for me in the world of male-female relationships. And to cut oneself off from finding that person, to immediately halve your options by eliminating the possibility of finding that one person within your own gender, that just seemed stupid to me. So I didn’t. But then you came along. You, the one least likely. I mean, you were a guy. (…) And while I was falling for you I put a ceiling on that, because you *were* a guy. Until I remembered why I opened the door to women in the first place: to not limit the likelihood of finding that one person who’d complement me so completely. So here we are. I was thorough when I looked for you. And I feel justified lying in your arms, ’cause I got here on my own terms, and I have no question there was some place I didn’t look. And for me that makes all the difference.

Chasing Amy : ttp://trunc.it/6fh5s

- O senhor não sabe o quão perigoso é abrigar viajantes desconhecidos? Como sabe que não irei matá-lo? – sabia que não usava um argumento muito original, mas queria saber como o rapaz reagiria.
- E a senhora? Não sabe o quão é perigoso para uma dama passar a noite no meio da floresta? E não me é desconhecidas, pois conheço muitas histórias suas, Mestra. – ele respondia sorrindo, como se aquele diálogo fosse uma brincadeira, um desfiando o outro.
- Explica-me, senhor, como posso passar a noite na casa de quem nem o nome sei? E tu também não me conheces, sabes apenas histórias que devem ser exageradas.
- Tens razão no fato de não conhecer-me. Sou Alexandre, filho de Luís. Minha família habita estas terras há séculos. Sou o segundo filho de meu pai e vou me casar no primeiro dia da primavera com a filha única do senhor proprietário de terras vizinhas as nossas. Porém, em relação ao fato de não conhecer-te, estás enganada, pois as histórias podem ser exageradas, mas o caráter não. E sei que és uma pessoa boa porque se não fosses, não teria perdido teu tempo e já terias tentado me matar.
O sol começava a se pôr e Apocrypha percebeu que aquele rapaz permaneceria irredutível. Resolveu acabar com aquele diálogo, já que teria que andar mais um pouco com ele.
- O senhor deseja mesmo que eu passe a noite em sua casa, mas não acredito que seja apenas por cortesia a uma mulher sem teto para dormir.
- A senhora está certa, Mestra. Espero que possas me ensinar teus conhecimentos, pois toda forma de conhecimento é valiosa e os teus mais ainda porque nos ensinam a ter esperanças e amor pelos nossos.
Apocrypha embainhou a espada e prendeu-a ao cinto.
- Rendo-me a sua vontade, senhor Alexandre. – curvou-se – Apenas não me chame de mestra, pois não o sou. Sei da vida e do mundo tanto quanto o senhor e não terei muito que lhe ensinar.
- Se assim desejas, não a chamarei de mestra, apesar de assim considerar-te. Mas, vamos, pois a noite não tardará a cair e terei pouco tempo para que aprender o que sabes.
- Dá-me apenas licença para recolher minhas coisas. – Apocrypha retornou à árvore onde deixara sua mochila e nela guardou o livro, a pena e o vidro de nanquim. Apagou a pequena fogueira, pôs a mochila nas costas e jogou a capa de viagem por cima.
- Deixa-me levar sua mochila, senhora Apocrypha, por cortesia. – Alexandre estendeu a mão para receber a mochila, sorrindo.
- Tens certeza de que é por cortesia? – Apocrypha perguntou rindo.
- Sim, confia em mim, é por cortesia. – Alexandre respondeu também rindo.
- Agradeço a atenção, senhor Alexandre, mas já é do hábito carregá-la. Sinto-me estranha sem ela, como se algo estivesse em falta no meu corpo.

Capítulo I – parte II

- És a mestra Apocrypha? Que anda pelo mundo para espalhar seus ensinamentos? – ele mostrava incredibilidade no rosto.
Ela balançou suavemente a cabeça para os lados e um pequeno sorriso iluminou seu rosto.
- Creio que se enganou, jovem senhor. Estou mais para aprendiz do que para mestra. Pouco sei das coisas do mundo.
- Mas és ela?
- Sim, sou Apocrypha. – ela apoiou-se na espada.
- Pensei que fosses lenda, criada pelo imaginário daqueles que querem mudar o mundo.
- Lenda não sou, pois estou aqui na sua frente. E não quero mudar o mundo, apenas compreender o coração daqueles que nele vivem. Mas, como soube que sou Apocrypha?
- Pela estrela em seu peito. – ela levou uma das mãos à corrente e segurou o cristal. – Um comerciante, contador de muitas histórias, contou sobre uma mulher que viajava sozinha. É sábia como os anciões, os corações mais frios se aquecem diante de sua beleza e uma estrela sempre brilha em seu coração. – o garoto apontou para a mão fechada.
- Bem, se fosse procurar por uma mulher bela, jamais chegaria a mim. – Soltou o cristal e levou uma mecha de cabelo para trás da orelha. Procurou mudar o assunto da conversa, pois, por se achar quase feia, sua aparência não era seu assunto favorito. – Então, o senhor deseja que eu saia de suas terras?
- Não apenas permito sua estada, mas convido-a para passar um tempo em minha casa, pois se a história do comerciante for verdadeira, a senhora deve estar exausta e precisando de repouso.
- Na verdade, estou cansada, mas uma noite de sono tranqüilo, sob as estrelas, basta para restabelecer-me. E amanhã de manhã preciso partir com o sol para chegar à cidade de Ridam antes do anoitecer.
- Ora, então posso lhe oferecer abrigo para a noite e transporte para a cidade amanhã de manhã. Uma carroça sairá de minha casa para ir à cidade vender nossa produção. A senhora pode ir junto, assim descansará melhor e chegará antes do anoitecer à cidade.
- Agradeço sua preocupação, senhor, mas ficarei aqui mesmo.
- Então, insisto para que venha comigo, pois a noite aqui é muito fria e seria descortesia deixar uma senhora dormir no chão, tendo o céu por teto. Eu não conseguiria dormir à noite.
Apocrypha fitava o rapaz. Ele era dono de uma incrível beleza. Tinha nos olhos a cor do céu sem nuvens, um azul claro e forte. Os cabelos pareciam raios de sol, de tão dourados e brilhantes; os fios eram finos e, à menor brisa, voavam de tão leves. O rosto era fino e a pele bronzeada. Não estava ricamente trajado, mas as roupas de veludo e seda confirmavam sua alta linhagem. Um broche de ouro, na forma de um brasão, era a única jóia e pertence valioso que usava e prendia-lhe a capa de viagem. A única arma era a espada que quase sacou quando a viu. Olhou profundamente em seus olhos e percebeu que estava na frente de uma pessoa obstinada e muito teimosa. Então, resolveu provocá-lo.

Introdução

Saiu da casa e fechou a porta atrás de si. Pôs a mochila nas costas e olhou o caminho a sua frente. O pequeno caminho de pedras levava da porta de sua casa até a cerca branca que cercava o jardim com roseiras e margaridas em flor. Caminhou em direção à roseira de rosas vermelhas, aspirou seu perfume e acariciou suas pétalas.
- Adeus, minha querida. Não sei se retornarei, mas continue a crescer. Espero tornar a vê-la, mas não deixe o mundo mais triste com a ausência de suas flores.
Afastou-se da planta e retornou ao caminho de pedras. Saiu do jardim e fechou o portão de cerca baixa. Não olhou para trás. Queria deixar suas lembranças ali também, mas estas a perseguiriam em seus pensamentos. Prendeu os longos cabelos com uma fita tosca e deu o primeiro passo para cair no esquecimento. Deixaria tudo para trás e se tornaria uma andarilha sem casa, sem origem. Tornar-se-ia Apocrypha e deixaria seu destino no caminho da estrada que seria a sua única amiga.

Capítulo I – parte I

Olhava para as páginas em branco. Perdera a conta dos minutos e não sabia mais há quanto tempo segurava o pequeno livro de capa vermelha e a pena negra. Pegou um papel que sobressaia entre as páginas e leu seu conteúdo novamente: “Escreva suas histórias. São lições de vida que não devem cair no esquecimento”. Para ele era fácil, pois era poeta, mas Apocrypha não gostava de escrever, nunca sabia como começar. Resolveu escrever isso: “Eis aqui a contadora de histórias que não sabe escrever o que fala! Por que as palavras faladas são tão diferentes das escritas?”. Leu as palavras ainda molhadas de tinta. “Vão pensar que sou burra, péssimo começo”. Mas não se importava com o que pensavam de si, por isso era andarilha. “Malditas contradições! Não me preocupa o que dizem sobre o que falo, mas me preocupa o que dizem sobre o que escrevo! E é a mesma coisa!”. Escreveu seu último pensamento. Uma luz brilhou em sua mente. “Amo as palavras faladas porque elas somem no vento, as escritas sobrevivem”. Benditas contradições!

Um barulho a tirou de seus pensamentos. Olhou a sua volta, enquanto deixava o livro e a pena de lado e procurava o punho da espada. Sons de passos. Levantou-se e tirou a espada da bainha sem fazer ruído. Detrás de uma árvore apareceu um rapaz.

- Quem está aí? – sua voz ecoou firme entre as árvores.
- Esta pergunta sou eu quem deve fazer, já que estás em minhas terras. Diga quem és! – o rapaz falava com a autoridade que lhe era permitida.
- Sou uma andarilha, estava seguindo a estrada. – O jovem a sua frente pôs a mão no punho da própria espada, que estava presa em seu cinto. Apocrypha segurou mais firme a sua.
- Estás perdida? Afinal a estrada está longe.
- Não, não estou perdida. Sei onde está a estrada. Apenas me desviei de seu caminho para passar a noite em segurança. Perdoe-me por entrar em suas terras, jovem senhor, mas se desejas que eu saia, arrumo minhas coisas e vou embora.

O rapaz a observava atentamente. A mulher vestia calças marrons e calçava botas de couro pretas; a capa verde corria suas costas até o chão e sua barra estava desgastada, indicando que há muito tempo era usada; usava uma blusa branca de algodão e, por cima, uma jaqueta da cor da calça. Passaria por um homem se suas feições delicadas não a denunciassem. Não tinha no rosto a beleza das donzelas das histórias, mas possuía o encanto e o mistério que todas as mulheres têm. Os olhos castanhos demonstravam a grande sabedoria que possuía, apesar de aparentar não mais que vinte anos; os lábios finos tinham a cor do vinho tinto e, embora o rosto estivesse crispado, eles apontavam que sorriam facilmente. Sua pele era morena, mas extremamente clara, e os cabelos tinham a cor da terra e as ondas suaves do mar, apesar de serem revoltosos. Um brilho chamou sua atenção: no peito da mulher, um cristal brilhava sem que nenhum raio de luz o atravessasse. E lembrou-se da história ouvida.

- Qual o seu nome, senhora?
- Não tenho nome senhor, mas me chamam de Apocrypha Sem Origem.

O rapaz aproximou-se e soltou o punho da espada. Percebendo que não havia perigo, Apocrypha abaixou a sua.

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